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Pernambuco de 1000 carnavais: a pluralidade estética dos festejos nos interiores pernambucanos

Logo no comecinho do ano, quando chega o carnaval, os interiores de Pernambuco se vestem de cultura e tradição. Seu povo sai às ruas e promove um verdadeiro espetáculo de cores, ritmos e paixões que pulsam nas veias da nossa terra. 


A celebração vai além da simples diversão, é a manifestação viva da riqueza cultural que nos define, a tradição do imaginário popular que atravessa gerações e encanta todos nossos sentidos.


Veste aí tua melhor fantasia e bora viajar nas várias faces do carnaval pernambucano!



La Ursa


Foto de Hugo Muniz.



Durante o carnaval, em toda e qualquer cidade pernambucana, você encontrará crianças felizes batendo uma lata, arrecadando umas moedinhas, acompanhando um brincante vestido de urso e cantando na maior das alturas:

“A LA URSA QUER DINHEIRO QUEM NÃO DÁ É PIRANGUEIRO”.

Seja com uma máscara de urso feita de papel machê ou a máscara de um monstro qualquer, a La Ursa é um dos principais símbolos do carnaval pernambucano, sua fantasia é um macacão feito de estopa, algodão e retalhos costurados em forma de tiras.


A La Ursa se faz presente não só nas ruas, mas também no coração de cada pernambucano.



Foto de Alfeu Tavares.


Foto de J.Santana.


Foto de Hugo Muniz.


Caboclo de Lança


Foto de Alexandre Severo.


Indo pra zona da mata norte pernambucana, temos o emblemático guerreiro forjado das palhas da cana-de-açúcar, o Caboclo de Lança, que traz consigo a missão de proteger sua cultura e o seu Maracatu.


Sua vestimenta, sempre multicolorida e reluzente, é rica em bordados, lantejoulas, chocalhos, detalhes e simbolismos, a exemplo do cravo na boca e o galho de arruda atrás da orelha, que tem sentido de proteção e fechamento do corpo.


Na ponta das lanças que empunham, carregam consigo séculos de tradição e a força indomável de um povo que persiste em sua identidade.



Foto de Andrea D'amato.


Foto de Claudio Maranhão.


Papangus


Foto de Anderson Stevens.



 Reza a lenda que em meados dos anos 1900, um grupo de mascarados saíram as ruas de Bezerros, agreste, batendo de porta em porta pedindo por um prato de angu de milho. Ano após ano a tradição se repetia e as crianças prontamente já anunciavam “lá vem os papa angu”.


Os Papangus de Bezerros é considerado o maior bloco do interior do país, um verdadeiro espetáculo da imaginação popular. Foliões com uma incrível diversidade de trajes coloridos e máscaras irreverentes preservam a tradição secular de se ocultar por trás de identidades misteriosas.



Foto de Erica Catarina.


Foto de Anderson Stevens.


Caretas


Fundarpe/Divulgação.



Há mais de 100 anos atrás, em Triunfo, um folião triste por ser expulso de um grupo carnavalesco, sai às ruas com uma roupa extravagante, máscara no rosto, chocalho e chicote na mão. De tão extravagante, outros foliões se inspiraram e passam a participar também da brincadeira, nascia ali o bloco dos Caretas, o maior bloco do sertão pernambucano.



Fundarpe/Divulgação.


Caiporas


Caiporas/Divulgação.



Terno, gravata e um saco de estopa pintado com um rosto gigante que cobre a cabeça e parte do corpo de quem o usa, estamos falando dos Caiporas de Pesqueira. A tradição que surgiu nos anos 60 em homenagem ao guerreiro do imaginário popular protetor das matas da cidade, o Caipora, é um dos principais e mais irreverentes blocos do agreste Pernambucano.



Foto de Caio Santana.


Bichos



Foto de Danilo Coelho.



Em Vitória de Santo Antão quem faz a festa são os bichos. Há mais de 120 anos, camelos, girafas, leões, zebras, bois e tantas outras representações animalescas se encontram para representar e puxar vários blocos que são tradições na cidade da mata sul.



Foto de Danilo Coelho.


Caboclinhos


Fundarpe/Divulgação.


Goiana, mata norte pernambucana, é palco de uma das manifestações mais antigas do nosso carnaval. Os caboclinhos celebram a força e o misticismo religioso dos guerreiros indígenas. São diversos grupos que ao som de um ritmo frenético composto por pifes, percussão e preacas (instrumento que lembra um arco e flecha), trajam coloridos e impactantes cocares, colares, saias e outros vários adereços confeccionados com penas de avestruz e pavão.



Fundarpe/Divulgação.


Fundarpe/Divulgação.


Bonecos Gigantes



Foto de João Di Carvalho.


Você sabia que o primeiro boneco gigante de Pernambuco é do sertão? Em 1919, “Zé Pereira”, o primeiro de todos, foi confeccionado em Belém de São Francisco, só 12 anos após os bonecos chegavam em Olinda. A tradição secular se tornou um dos principais símbolos do carnaval pernambucano e é até hoje celebrada na cidade.


Outro famoso boneco gigante do nosso carnaval se encontra em Catende, mata sul. A mulher da Sombrinha nasce de uma lenda urbana que assombrava a cidade sendo uma espécie de “sereia dos canaviais”, hoje a loira gigante é responsável pela folia e festejos da região.



Prefeitura de Catende/Divulgação.


Bois


Associação Cultural Boi de Maracatu/Divulgação.


Em falar em tradição secular, uma saudação especial a todos os BOIS que encantam e embelezam o carnaval pernambucano. Boi Tira-teima (Caruaru), Boi Dourado (Limoeiro) Boi da Macuca (Garanhuns), Boi da Gente (Belo Jardim) e tantos outros cortejos que fazem a festa do estado.


Tem cidades com tantos bois que tem concurso e tudo!  Arcoverde, sertão, com a Folia dos Bois e dos Ursos e Timbaúba, mata norte, com o Concurso de Bois de Buzinas.



Foto de Máquina.


Boi da Gente, de Belo Jardim. Foto de Vanessa Melo.


O que mais encanta em todas e mais variadas tradições é que absolutamente tudo é feito do povo para o povo.


A imaginação, a criatividade, a artesania, o encantamento de uma gente que transforma a dificuldade da vida em pura magia durante 7 dias do ano, abrilhantando ainda mais o que justamente mais brilha no nosso carnaval, o povo pernambucano! 



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